Valor Divino do Humano - Jesus Urteaga Lodi

Compreendi a frialdade dessas almas quando senti no meu íntimo aquele repto que refletiam os olhos dos pagãos: “Demonstrai-nos com vossas vidas que Cristo vive!”.Valor Divino do Humano - Jesus Urteaga Lodi

terça-feira, 29 de maio de 2012

O SACRIFÍCIO DE NOSSA SENHORA


Muito tem se falado sobre a virgindade de Nossa Senhora. A tradição nos fala de Maria ter oferecido sua virgindade a Deus desde moça. Muitos autores espirituais consideram que assim Nossa Senhora humildemente substraia-se à possibilidade de ser Mãe do Salvador, sacrificando-se ao renunciar a tão alta honra.

Eu considero que a situação é exatamente ao contrário. As promessas messiânicas falavam que “uma virgem dará a luz”. Maria não desconhecia as escrituras. Permanecendo virgem não renunciava, senão se doava a essa possibilidade. Com esta visão o sacrifício não desaparece, pelo contrário, se acentua.

Devemos considerar os fatos com a visão da época. Hoje em dia, uma mulher decidir não ter filhos é considerado apenas uma “opção de vida”, e se a mulher tem uma vida profissional muito ativa, fica até bem justificada aos olhos da nossa sociedade.

Na sociedade israelense daquela época era totalmente oposto: não ter filhos era um opróbrio, uma desonra. No primeiro Livro de Samuel, aparece Ana, esposa de Elcana, chorando seu desespero na escadaria do templo porque era atormentada pela outra esposa, Fenena, pois Ana era estéril, ao passo que sua rival tinha 2 filhos, (1 Samuel, 1). Isabel, mãe de São João Batista, ao ver-se grávida exclama: Eis a graça que o Senhor me fez, quando lançou os olhos sobre mim para tirar o meu opróbrio dentre os homens. (São Lucas1, 25). A fertilidade era vista como um dom de Deus aos justos, e a esterilidade como um castigo ao pecador.

Maria, ao decidir permanecer virgem, sabia que seria desprezada, mal falada. O que se passou pelo coração dessa moça para tomar essa decisão?
Possivelmente veria com pena que todas as mulheres corriam ao matrimônio para não se arriscarem a serem improdutivas. Ninguém queria se “arriscar” a ficar virgem para “tal vez” Deus decidir fazer-la mãe do Messias.
Maria no seu imenso amor a Deus e sua perfeita disponibilidade aceita “correr o risco” e se entrega totalmente à vontade divina, sabendo que não tinha nenhuma garantia.

Possivelmente compartilhou com José sua decisão. Alguns autores acham que José ao saber da gravidez de Maria, percebeu que ela tinha sido escolhida como a mãe do Salvador, e não se achou digno de ter que exercer autoridade sobre o seu Deus (autoridade de pai sobre o filho) e decide afastar-se. Mas, como ele iria permitir que fosse difamada a mãe do seu Senhor? Por isso a sua atitude de deixar Maria “em segredo”, resolvia os dois problemas.

Maria e José, escolhidos desde o início dos tempos, e unidos pela Graça de Deus, foram os instrumentos perfeitos da nossa salvação.

Autora: Lilia Diana

quinta-feira, 10 de maio de 2012

O que o CSI não falou



Assisti ontem a um capítulo do CSI, não sei qual temporada. O tema era o assassinato de um pára-quedista que morreu ao saltar com um pára-quedas sabotado.

A vítima era um homem casado e sem filhos. No decorrer da história se descobre que era pai de mais de 100 filhos nascidos do sêmen que ele doou na época de estudante para arrecadar dinheiro para pagar a faculdade.

Evidente que todos os filhos e alguns pais foram suspeitos do crime. Dentre eles quem chamou minha atenção foi um pai que chorava a morte da filha ainda novinha vítima de uma doença genética transmitida pelo doador que não declarou possuí-la na hora da venda do sêmen.

O CSI investigou e achou o culpado, mas nada disse a esse pai que pudesse dar-lhe consolo.

As palavras do pai: “ele matou minha filha”.

O que se pode dizer?

Eu diria: ele não matou sua filha, ele deu a vida a sua filha. Sua filha nasceu do sêmen dele, foi uma vida curta, mas com certeza com muito amor para ser lembrada com tanta dor.

Se essa pessoa não tivesse doado seu sêmen, o senhor teria mesmo assim uma filha ou um filho nascidos do sêmen de outro doador, mas não seria a mesma filha, única e irrepetível, com esse rostinho, com esse sorriso, com essa voz.

Por que lembrar sua morte em lugar de lembrar sua vida?

Por que ficar anos a fio chorando a morte de um ser querido em lugar de ficar lembrando tudo o de bom que esse ser viveu conosco, tudo aquilo que nos deu, o quanto nos amou?

autora: Lilia Diana

segunda-feira, 16 de abril de 2012

QUEM VAI DEFENDÊ-LOS?


Lendo o Jornal A Tarde de domingo 15 de abril de 2012, me deparei com um artigo que me fez pensar e refletir. Logo veio na minha mente uma historinha ilustrativa que vou contar:

Tereza, solteira, assalariada, ganhando salário mínimo, vive com sua mãe dona Maria, aposentada, também ganhando salário mínimo, numa casinha alugada num bairro pobre.
Certo dia dona Maria adoece e é internada. Um mês depois, já medicada e passando melhor, o médico chama Tereza e diz: “filha, tua mãe tem uma doença incurável, tem apenas 9 meses de vida, não podemos fazer mais nada além de aliviar a dor. Leva ela pra casa, dá estes remédios e fica cuidando dela”.
Tereza responde: “Doutor, eu não posso ficar em casa cuidando da minha mãe e deixar de trabalhar, nem nosso dinheiro dá para pagar uma pessoa para cuidar dela. Doutor, por que não acaba com a vida dela agora? Por que não me garantir o direito de não carregar por 9 meses um ser que não vai sobreviver?

Parece chocante e inumano, mas é esse o argumento [“...garantir às mulheres o direito de não carregar na barriga por nove meses um feto que não vai sobreviver...”] enarbolado pelo autor do artigo do jornal que demonstra desprezo e pré-conceito desde o título: “Guerra santa e faniquitos clericais”.

No artigo onde quase a totalidade das palavras são pejorativas, o autor ataca os grupos religiosos contrários ao aborto de anencefalos que lutaram semana passada contra a lei que permite a morte desses inocentes, e olha que, ao contrário da personagem da minha historinha, o nasciturno nem vai dar trabalho, nem a mãe vai ter que deixar de trabalhar, nem precisar pagar alguém para cuidar...

Agora eu pergunto:

Quem mais vai defender esses coitados sem voz nem voto?

O Governo? Esses governantes que inventam mil impostos (tipo CPMF) com a escusa de aparelhar hospitais, mas depois usam os recursos para engordar contas particulares em paraísos fiscais?

NÃO, para o SUS sai mais barato pagar um aborto nos primeiros meses de gravidez, do que sustentar um pré-natal e pagar um parto ou cesárea...$$$$$

Os médicos? Esses profissionais que se supõe que estudaram para salvar vidas, mas (não todos) na prática fazem distinção de atendimento entre pacientes particulares e de plano de saúde, ou dormem nos plantões em que deveriam estar alerta e atendendo?

NÃO, se eles tem tão pouco respeito pelo cliente que não se importam de deixá-lo esperando horas a fio para ser atendido, vai se importar por um QUASE cliente que não vai frequentar seu consultório? (Obs.: eu também sou profissional liberal e, se nos meus mais de 35 anos de serviço tivesse deixado meus clientes esperando a metade do que eu espero nas salas de espera de médicos, teria perdido 90% dos meus clientes antes mesmo de fazer o serviço.)

A sociedade viciada em novelas? Aquelas mentes moldadas dia a dia paulatinamente durante anos a fio com idéias de individualismo, egocentrismo, comodismo, superficialidade e principalmente contra-valores?

NÃO, esses seres pensam só em si mesmos; MEU corpo, MINHA vontade, MINHA necessidade, MEUS direitos, MEUS gostos, MINHA conveniência, os dos outros? Só se servem para MIM!! Se me dão algum tio de lucro ou satisfação. Tadinhos dos anencéfalos que não vão dar lucro nem satisfação!!! Ao lixo com eles! e o mais rápido possível para poder curtir uma prainha com meu novo biquíni de griffe.

Restou mais alguém para defendê-los? Só os religiosos e as pessoas que ainda pensam e se preocupam com os direitos dos outros sem se importar de serem rotulados de “moralistas”, “fanáticos”, etc.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

UM SONHO E ... UMA REALIDADE PARA COMPARTILHAR


Tive um sonho, um sonho que lembrarei toda minha vida, e uma realidade, por que não compartilhar-los como uma experiência de vida?
Um sonho profundo, profundo e belo, uma imagem muito doce, uma voz muito suave e delicados movimentos. Sua mão convidando-me para me acercar para conhecê-la, que eu fosse até Ela, sua imagem descia desde o altar da igreja da minha juventude.
Sim, era, a imagem da nossa Mãe, Maria, Mãe de Jesus, sua ternura invadia-me, o temor não existia, porém tinha um quê de diferente, sim, a cor da sua pele era morena.
O despertar encheu-se de perguntas que ficaram sem respostas, por que? Qual era o motivo do seu chamado? Nunca tinha visto uma imagem da Virgem com pele morena.
Passaram-se os anos e o sonho só ia ficando numa lembrança cada vez mais longínqua, porém, algo aconteceu, algo fez brotar as lembranças como uma luz, uma brilhante luz iluminando o caminho que devia percorrer, visitando os tios que residem no Rio de Janeiro algo aconteceu, estávamos apreciando o Cristo sobre o Corcovado, clássico do lugar, porém recebi um forte impulso, a minha curiosidade por ver o que havia na base do Cristo, apressado desci e abri uma porta, Deus, minhas pernas tremiam e não podia falar, frente a mim estava a imagem da Virgem morena do meu sonho.
Essa imagem da Virgem morena ficou na lembrança, uma lembrança e algo para contar.
Passaram-se vários anos até que recebi de presente uma imagem da Virgem de uma pessoa que ouviu meu relato e revelou-me que se tratava de “a Aparecida”, padroeira do seu país, padroeira do Brasil, e começou o interesse por conhecê-la, acercar-me a seu Santuário e cumprir com seu chamado.
Neste ano de 2000, ano do Jubileu de Nosso Senhor, rumamos para o Rio com o objetivo de conhecer “a Aparecida”. Esperavam-nos  a tia e os primos que se encarregaram de organizar a viagem.Chegamos ao Rio no domingo e na segunda-feira cedinho, estávamos no ônibus rumo ao Santuário, uma promessa, responder ao chamado.
As lágrimas contidas, a emoção invadindo-me ante a presença dessa imagem, o que durante tanto tempo tinha sido um sonho, era uma realidade, estava frente a Ela, um profundo silêncio e o som do meu coração acompanhando minhas preces, agradecendo esse momento e todos os gratos momentos da minha vida.
Claro, que agora encontro um sentido a esse chamado, agradecer uma forma de vida, de poder desfrutá-la com sofrimentos e alegrias, assim de simples, encontrar-me com o passado, com parte da minha vida, com as lembranças e com o presente, nada mais, agradecer esse momento, poder estar e sentir sua Presença, sua Presença no meu coração e no de muitos que a conhecerão por um sonho.
Assim eu a vi no meu sonho, igual à imagem do meu sonho, foi assim que a encontrei.

Héctor Osvaldo boy – 29-12-2000 

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

ESQUECERAM DE MIM


Estamos no final do Advento, ou seja, da preparação para o Natal.  Mas como é que entendemos ou vivemos essa preparação?
Lembro de uma história lida numa revista faz alguns anos. Contava a história que uma moça de 15 ou 16 anos chegava eufórica na escola numa segunda-feira comentando:
- No sábado fui ao meu primeiro vernissage! Adorei!
E ai vai contando tudo: roupa, dela e dos convidados, quem estava, os bebes e comes, etc.
No meio da empolgada narrativa, a sabichona da sala lança a queima-roupa a pergunta:
- E de quem eram os quadros?
Ai a garota se pergunta: quadros? Que quadros? Tinha uma leve lembrança de ter visto alguns quadros pendurados nas paredes, mas nem tinha prestado atenção... (para quem não sabe, vernissage é a inauguração de uma exposição de quadros).
Assim também a preparação para o Natal costuma se limitar a fazer as listas de amigo oculto, comprar e mandar cartões, pesquisar o preço do peru para a ceia, comprar presentes e mais presentes, resolver em casa de quem vamos passar a noite de Natal... E se no meio de esse redemoinho alguém chegasse e perguntasse assim a queima-roupa:
- E o aniversariante?
A maioria das pessoas ficaria que nem a garota da história:
- Aniversariante???? Tem alguém fazendo aniversário???????
Pois é, Natal significa NASCIMENTO, e a comemoração de um nascimento é a festa do ANIVERSÁRIO, e de quem? De JESUSCRISTO!!


 “ESQUECERAM DE MIM”, quem não se lembra do filme?
Uns anos atrás, na revista Brasil Cristão, li um artigo do Padre Zezinho no qual ele, relembrando o filme em voga na época, fazia um paralelo com o Natal.
Este é um trecho do artigo:
 “Você já chorou sozinho, no seu aniversário, porque ninguém telefonou, ninguém deu os parabéns, porque o dia do seu nascimento passou em branco? Imagine como eu deveria chorar no Natal. O que tem de gente que me esquece...
Não estou exagerando, não... Olhe ao seu redor!
‘Esqueceram de mim’ e inventaram uma história de trenó, de renas, de Papai Noel e chaminés. Esqueceram que vim do Céu, não do Pólo Norte. Esqueceram que não precisei de trenó, mas quis vir ao mundo por Maria, pela força e ação do Espírito Santo e que não preciso entrar por chaminés, mesmo porque elas quase já não existem. Eu quero entrar pelos corações!”

UM FELIZ E ABENÇOADO NATAL!!

Lilia Diana

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

DE QUEM É A FESTA DO NATAL?


Vai chegando dezembro e a cidade começa a mudar, milhares de lusinhas e enfeites chineses aparecem por todo canto.
As pessoas começam a ficar a mil pensando nas festas, nos presentes, nas comemorações, amigo oculto, confraternizações de trabalho, academia, clube, etc.
É assim em todas as cidades grandes e, graças à globalização, também está acontecendo nas cidades menores do interior.
A imprensa falada ou escrita, real ou virtual sente que não pode ficar de fora num evento que movimenta tantas pessoas e recursos. Ai quase todo que é colunista acha-se na obrigação pessoal, ou imposta pelo chefe, de escrever sobre o Natal.
Multiplicam-se os escritos, alguns mais concretos, outros menos, alguns mais fieis à verdade, outros menos, alguns focando o tema motivo das comemorações, e outros falando apenas dos usos e costumes, pois já não sabe mais o que realmente se festeja.
Para quem não sabe... Natal significa: nascimento (pode procurar no Aurélio), e a comemoração de um nascimento é a festa de aniversário. Mas de quem é o aniversário? De Jesuscristo.
Então, o Natal é uma festa religiosa dos cristãos. Alguns colunistas sabem disso, mas ao fazerem o seu artigo não sempre escrevem as verdades religiosas e sim o que eles acham que são essas verdades.
Foi assim que no ano passado, ou retrasado, me deparei como um artigo que discorria sobre o fato de que “antigamente a Igreja considerava a Páscoa a festa mais importante, hoje em dia a Igreja celebra mais o Natal”.
Tadinha da moça que escreveu esse artigo! Nem a missa ela vai, mal conhece a religião, e em vez de consultar a quem realmente sabe, decide escrever o que ela acha.
O natal é a festa mais importante para o COMÉRCIO, não para a Igreja.
Claro! É mais fácil vender presentes para um nascimento do que para uma morte...
É a festa mais importante para quem quer faturar, para quem quer dar um impulso a sua indústria ou comércio, para quem quer uma renda extra, para quem quer fazer um pé de meia....
E para os cristãos? Quem realmente vive a religião cristã, seja qual for a modalidade, sabe que a festa mais importante foi, é e será sempre a Páscoa.

No caso da Igreja Católica, sempre mais visada e/ou criticada, a diferença é bem definida.
Para o Natal se dedicam 4 semanas de preparação: o Advento, uma véspera e um dia na data: o Natal, e de 12 a 15 dias mais o menos após a data comemorativa: o Tempo de Natal que vai até o domingo após o 6 de janeiro.
Para a Páscoa, é bem mais tempo, são 40 dias de preparação: a Quaresma, uma semana na data: Semana Santa, e 50 dias após a data: o Tempo Pascal.
(fonte: Missal Cotidiano – Edições Paulinas)

Autora: Lilia Diana

domingo, 30 de outubro de 2011

O TESTEMUNHO DE UMA FACE

Numa sociedade como no tempo de Jesus, profundamente estruturada em classes, dividida entre sacerdotes e sumos sacerdotes, doutores da lei e escribas, o Senhor anuncia publicamente que o essencial é a força do testemunho: sobre a a cátedra de Moisés se sentaram os escribas e os fariseus; observai e fazei tudo aquilo que vos dizem, mas não imiteis suas obras, porque dizem e não fazem.
Mais do que de metres, o mundo precisa de santos que anunciem com o testemunho de suas vidas aquilo que se pronuncia com os lábios. Não foi por acaso que, desde o início do Cristianismo, o povo de Deus gostava de representar através de ícones o rosto de Cristo e, mais tarde, as imagens dos apóstolos, mártires e santos sobre cujos túmulos era celebrada a Eucaristia. Foi o testemunho vivo desses homens e mulheres que tornaram possível, sob a ação do Espírito Santo, a evangelização do Império Romano em meio a uma sociedade hostil que perseguia os cristãos até a efusão do próprio sangue. Como dizia Tertuliano: "O sangue dos mártires é semente de novos cristãos". Quanto mais eram perseguidos e martirizados, tanto mais pessoas aderiam à fé, impressionadas pelo testemunho de homens e mulheres, crianças, jovens e adultos que não temiam nem a morte. Todos queriam saber qual era o segredo, a força que os sustentava no testemunho eloquente do martírio. Foi exatamente este testemunho evangelizador que fez com que o nome de Jesus chegasse a todos os povos, raças, línguas e nações.
Encerrando o mês das Missões, tenhamos o propósito firme de ser em nosso mundo uma imagem viva de testemunho do Cristo, pois o rosto, a vida de uma pessoa fala muito mais do que mil discursos ou mil palavras.


Fonte: folheto dominical "A Missa", do 31º Domingo do Tempo Comum
Publicação da Coordenação de Pastoral da Arquidiocese do Rio de Janeiro.


PORTAL DA ARQUIDIOCESE DA CIDADE DE SÃO SEBASTIÃO DO RIO DE JANEIRO
www.arquidiocese.org.br


Conheça o novo veículo de comunicação da Arquidiocese do Rio, veja os vídeos e acompanhe as transmissões ao vivo: www.redentor.tv.br

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

O VERDADEIRO VALOR


Outro dia enquanto estava fazendo os exercícios na clínica de fisioterapia, ouvi uma conversa entre duas mulheres que estavam na outra sala.

Conversavam sobre o fato de terem ficado sem os respectivos maridos, não sei se por falecimento ou separação, peguei a conversa pelo meio.

Falavam sobre as vantagens da situação, como era melhor poder ir e vir sem ter que dar satisfação, fazer o que quisessem, etc.

Lá pelas tantas, uma delas disse: “e a tampa do vaso sempre levantada? Ah! como incomoda a tampa levantada!”

Guardei essa frase como síntese da conversa, e eu que não troco a companhia do meu marido por nada, comecei a refletir.

Lembrei dos tantos e-mails recebidos com queixas delas contra eles, e suas respectivas revanches masculinas. Ambas nos fazem rir, mas no fundo trazem um quê de revolta.

Será que damos o verdadeiro valor àquela pessoa tão especial que Deus colocou ao nosso lado?

Que importância tem que a tampa do vaso fique levantada, se o vaso (e o espelho, e as cortinas e até a casa) ele comprou na cor que eu gosto, mesmo que seja cor de rosa?

Que importância tem que eu tenha que dizer: “querido vou dar um pulo na casa da minha amiga”, se quando me demorar na conversa ele vai estar me esperando de carro na porta da minha amiga?

Que importância tem se ele não se lembra do dia em que nos conhecemos, ou da data do casamento, ou qualquer outra data, se na hora que eu estiver triste ele vai estar do meu lado para me consolar?

Que importância tem qualquer uma daquelas milhares de reclamações repetidas até o cansaço, se quando nós dizemos uma piada, eles riem, quando nós estamos assustadas, eles nos cercam com seus braços, quando nós estamos confusas, eles nos orientam?

Será que alguma vez passou pelas nossas cabeças femininas que aquele homem que deixa a roupa espalhada pelo chão, a lata de biscoitos aberta, e que não pára de cutucar o controle da televisão, é capaz de fazer qualquer coisa para nos defender quando precisarmos, mesmo arriscando a vida?

Está na hora de dar menos importância a detalhes supérfluos e valorizar o que é realmente importante.

Lilia Diana - setembro 2011

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

NOVELAS


Um leitor (não vou citar o nome), em texto publicado no Espaço Do Leitor de um jornal da Bahia, critica a atitude do apresentador Carlos Alberto de Nóbrega, no SBT, em não tirar o chapéu para as novelas da Globo por entender que “os conteúdos exibidos, nas tramas, eram apologias constantes à destruição da união familiar”, e alega que “tais novelas só expressam as mazelas sociais da atualidade no nosso País”.

O leitor pelo visto não deve morar no Brasil, senão saberia que o telespectador brasileiro que está interessado em saber das “atualidades no nosso País”, liga o telejornal e não a novela.

Desde a criação da televisão no Brasil, a novela tem sido modelador de opinião. O telespectador de novelas se identifica com os personagens, se sente dentro da trama, torna o tema da novela que assiste motivo de conversa com familiares e amigos e, principalmente, IMITA o que vê na telinha.
Até quem não assiste novelas sabe o tema que está sendo tratado nas novelas só de entrar nas lojas no seu dia a dia. Roupas, bijuterias, e outros artigos usados nas novelas são consumidos massivamente, crianças que nascem durante a exibição de uma determinada novela recebe o nome do(a) personagem principal. 

Até artistas de novela quando andando na rua da sua cidade são confundidos com seu personagem. Quem desconhece esta situação?

Por isso é tão importante que as novelas não sejam modelos de destruição da família, de exemplos de vícios e contra-valores.
Infelizmente os autores e diretores de novelas não têm consciência da responsabilidade social de que estão incumbidos, e em nome da “liberdade de expressão”, lançam nos lares brasileiros qualquer história que lhes renda audiência e lucro, mesmo que seja um lixo.

Assim assistimos a triste realidade de pessoas que poderiam ter uma vida limpa e exemplar, virarem “prostitutas psicológicas” ao querer se igualar às personagens desse tipo de vida tão bem “pintadinhas de santa” pela equipe de novelas.

Eu “tiro o chapéu” para Carlos Alberto de Nóbrega.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

PERSEGUIÇÃO RELIGIOSA


Quem pensa que a perseguição religiosa acabou com o último César da Roma antiga, se engana totalmente. Hoje em dia a perseguição é mais dissimulada, escondida, como quem não quer nada, mas ai está ela.
Num artigo sobre a concisão de liberdade a um rapaz que tinha cometido assassinato (não vou citar o nome), um conceituado jornal (também não quero citar para não desprestigiar), o título é iniciado por: “Ex-seminarista...”
Seminarista por acaso é profissão? É cargo numa firma? Nem uma nem outra coisa. Um seminarista é apenas um “estudante de um seminário”.
Se o crime tivesse sido praticado pelo dono do açougue a imprensa teria publicado: “Comerciante é acusado de...” e não “Ex-estudante de segundo grau... (ou de primeiro ou que fosse)”.
Se tivesse sido praticado por um advogado, engenheiro, arquiteto, ou qualquer outro profissional, seria também qualificado pelo seu título. O pai do acusado é qualificado como: “publicitário” e como “empresário”, e a madrasta, tal vez por falta de profissão específica, nem qualificação foi-lhe atribuída.
Se o rapaz trabalhava na empresa do pai, e logicamente tinha algum cargo, por que não foi qualificado pelo cargo que ocupava em vez de ser-lo por um estudo que não mais realizava? Porque “EX”, significa que NÃO É MAIS.
A razão é simples: Ex-seminarista liga logo o pensamento à Igreja Católica, e a intenção é essa mesma: denegrir a Igreja.
Reconheço que o texto precise de sinônimos para não se tornar repetitivo, a boa gramática assim o exige, mas o rapaz, além do seu próprio nome, poderia ter sido nomeado por: “o acusado”, “o filho do empresário”, “o suspeito”, “o jovem”; mas no artigo além do seu nome, só uma vez aparece “o jovem”, já a expressão “ex-seminarista” está 5 (cinco) vezes.
Negar que a expressão foi colocada intencionalmente, é ingênuo, salta a vista. É um claro caso de perseguição ou discriminação religiosa, disfarçada, sutil, mas que de tanto ir se repetindo vai criando na sociedade uma antipatia pela Igreja e seus membros, uma mentalidade anti-religiosa bem conveniente.